O veleiro Sony Handycam², do comandante Marcos Ferrari, venceu a Regata Santos Ilhabela, disputada neste fim de semana. O Bruce Farr 42, que já foi campeão da Semana de Ilhabela, era o barco mais veloz na raia e confirmou seu favoritismo levando cerca de 11 horas para percorrer as 62 milhas entre a Ponta da Praia, em Santos, e um farol na Ponta da Sela, ao sul de Ilhabela. Na classe ORC Club o primeiro a cruzar a linha de chegada, na manhã de domingo (30/8), foi o Asbar. A prova integrou as comemorações do 204º aniversário de fundação do município de Ilhabela.
Apesar de comandar o monocasco mais rápido da raia, Marcos Ferrari não teve moleza para garantir a fita-azul. Durante boa parte da regata duelou com o catamarã de Beto Pandiani. Em determinado momento, o Sony Handycam² chegou até a ocupar a terceira colocação da regata, sendo ultrapassado por Beto Pandiani e também por um Nacra 20, outro catamarã. Em condições de vento forte e favorável e poucas ondas, os catamarãs chegam mesmo a ser mais velozes que o Bruce Farr 42, mas a equipe do Handycam acabou ganhando distância justamente num momento em que o vento ficou mais fraco. Betão e o Nacra 20 decidiram buscar melhores ventos, distanciando-se um pouco do rumo ideal. O Handycam também teve de fugir dos ventos fracos, mas preferiu não se afastar muito, nem para o oceano, nem para perto da terra. A tática deu certo. Quando os ventos aumentaram para mais de 15 nós, com rajadas de até 25, já era noite e os catamarãs não estavam no visual. Beto Pandiani tinha escolhido uma rota mais próxima do litoral. Com o vento, aumentaram também as ondas e a entrada no canal, sob lua cheia e vendo a aproximação de Ilhabela, foi um dos momentos mais emocionantes da regata. O barco comandado por Marcos Ferrari foi o primeiro a cruzar a linha, às 21h43 de sábado, cerca de 15 minutos antes de Beto Pandiani.
Ao todo 21 embarcações participaram da disputa nas classes ORC Internacional, ORC Club, RGS A, Nacra 20 e até um corajoso catamarã de 17 pés, o Super Cat 17, que cruzou a linha por volta das nove horas da manhã de domingo.
A regata começou com um vento favorável, de sul/sudeste, mas logo após a primeira hora começou a mudar até virar um vento leste, que se manteve durante a maior parte da tarde do sábado, variando ao redor dos 10/12 nós. Em alguns trechos, o vento caiu muito e os tripulantes do veleiro campeão sofriam ao ver o barco fazer cerca de 3 nós para depois embalar novamente no vento leste. Somente nas últimas horas da noite de sábado é que o vento aumentou, mas também virou contravento, virando para nordeste.
"Eu adorei essa regata. Acho que o comprimento é o ideal. Não é nem muito grande e nem muito curta. Quando o vento ajuda, é possível tomar café em Santos e jantar em Ilhabela", contou o comandante Marcos Ferrari. Ferrari sabia do favoritismo de seu barco, mas sabia que Beto Pandiani tinha condições de surpreender: "Eu acreditava muito que o Betão seria o vencedor se as condições favorecessem, mas o vento mais fraco e as ondas no final jogaram a vantagem para nosso lado, já que nosso barco tem praticamente quatro vezes a área vélica do catamarã do Betão". Para esta regata, Ferrari trocou sua tripulação completa, de 11 velejadores, por apenas oito, sendo dois deles convidados da imprensa. "Decidimos correr esta regata com um barco mais leve, por isso diminuímos a tripulação e por essa escolha, pagamos um preço nas manobras", completou, lembrando que a tripulante mais jovem da equipe, Julia Pessini, também não esteve a bordo porque estava disputando o Campeonato Paulista da classe 420.
Beto Pandiani, que encarou a regata duas vezes, já que no dia anterior veio, junto com os demais catamarãs, de Ilhabela para Santos, confirmou que o vento contrário no final atrapalhou bastante. "E o pior é que, mesmo depois de cruzar a linha, como o barco não tem motor, eu tive que encostar bastante no lado de São Sebastião e vim dando dezenas de bordos para conseguir chegar no clube", desabafou.
Outro destaque da raia foi o belíssimo Atrevida, veleiro clássico, lançado pela primeira vez à água em 1923, nos Estados Unidos e que, reformado no Guarujá, é o mais belo veleiro brasileiro da atualidade. Ele levou a bordo os prefeiros de Santos e de Ilhabela. Depois de velejar as primeiras horas, o Atrevida ligou os motores e terminou a prova por volta das oito horas do sábado, retirando-se da competição.
Na largada, a regata conseguiu parar até o movimentado porto de Santos por algumas horas. Enquanto os barcos largavam bem próximo dos espectadores, na Ponta da Praia, era possível ver uma fila de navios aguardando a liberação para entrar no porto.
O ponto negativo ficou por conta de uma nada conveniente coincidência de datas desta regata com uma etapa do Campeonato Paulista de Oceano, em Ubatuba, que acabou tirando vários competidores da raia.
Mas o sucesso da regata animou os organizadores que já estudam a possibilidade de realizar mais duas edições a partir de 2010. A ideia é que a primeira regata seja realizada em janeiro, nas comemorações do aniversário de Santos, mas, no sentido contrário, com largada em Ilhabela e chegada no Canal de Santos. E a segunda prova, no aniversário daquele município, com saída de Santos e término em Ilhabela.
A organização da regata foi das prefeituras de Santos e Ilhabela, Marinha do Brasil e do Iate Clube de Santos. O navio patrulha Gurupá, da Marinha do Brasil, acompanhou os velejadores durante todo o percurso.
Resultados
ORC Internacional - 1º Sony Handycam; 2º Orson
ORC Club - 1º Asbar; 2º Fantasma
RGS A - 1º BL3 Ilhabela/Lalampe
Delta 32 - 1º Asbar; 2º BL3 Ilhabela/Lalampe; 3º Fantasma
Nacra - 1º Beto Pandiani; 2º Claudinho; 3º Peter; 4º Nelson
Fonte: Antonio Alonso Jr - Nautica